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Em busca do amor, ele foi da Índia à Suécia com sua bike
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Em busca do amor, ele foi da Índia à Suécia com sua bike

De bicicleta, o indiano PK Mahanandia fez uma jornada de quase cinco meses para encontrar mais do que sua amada, seu destino.

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Pense que você tenha encontrado o amor da sua vida, mas quase nove mil quilômetros os separam e o único meio de transporte disponível é sua querida bicicleta. Você iria? Pradyumna Kumar Mahanandia foi! Ele saiu de Nova Délhi, na Índia, e foi até Gotemburgo, na Suécia, para encontrar sua amada.

Mahanandia, que carinhosamente é conhecido como PK, nasceu em 1949 em um vilarejo chamado Athmallik, na Índia, um país que até hoje possui um sistema de castas presente na sua sociedade. E adivinha? PK pertencia àquela que não era só considerada a mais pobre, mas também “impura”.

Apesar das adversidades, ele começou a buscar seus sonhos cedo e conseguiu graduar-se em Artes em uma das melhores universidades da capital Nova Délhi. E foi através da arte que PK encontrou Charlotte Von Schedvin, uma jovem sueca que estava visitando o país, e teve a sensação de amor à primeira vista. Por sinal, ela estava lá após uma viagem de 22 dias de carro desde a Suécia!

Desenhista de retratos, PK ganhou destaque ao ter a honra de retratar Indira Gandhi, primeira mulher a assumir o governo da Índia. Vale lembrar que ela não possui parentesco com Mahatma Gandhi. Mas o que chamou a atenção de Charlotte foi sua promessa de desenhar retratos em apenas dez minutos em uma praça da capital do país.

Ele desenhou Charlotte não só uma, como duas vezes, mas não a convenceu com a sua arte. Porém, uma “previsão” da sua mãe sobre ele se casar com uma mulher do signo de Touro, vinda de uma terra distante, dona de uma floresta e com tendências musicais o fez insistir no caso. Em suas conversas, PK já havia percebido que tudo batia.

“Tinha uma voz dentro de mim que dizia que ela era a predestinada. Fomos atraídos um pelo outro como ímãs. Foi amor à primeira vista. Ainda não sei o que me fez fazer tantas perguntas e depois convidá-la para um chá. Pensei que ela ia dar queixa na polícia”, contou Mahanandia à BBC.

Os jovens se apaixonaram, mas ela teve que voltar para sua terra natal. A comunicação entre os dois continuou via cartas por mais de um ano, até Mahanandia decidir vender tudo o que tinha para comprar uma bicicleta e começar a pedalar em busca do seu destino. Sua jornada épica começou no dia 22 de janeiro de 1977 e terminou quase cinco meses depois.

“A arte me salvou. Fiz retratos de pessoas e algumas me deram dinheiro, outras, comida e abrigo”, disse PK, que pedalou cerca de 70 quilômetros por dia, passando por Paquistão, Afeganistão, Irã e Turquia até entrar na Europa, onde parou em Viena na Áustria.

Se você se pergunta de onde ele tirava forças, a resposta é simples. “Minhas pernas doíam, mas a expectativa de encontrar Charlotte e o fato de estar vendo novos lugares me fizeram seguir em frente”, explicou.

De Viena, PK pegou um trem para Gotemburgo e finalmente reencontrou Lotta, como a chama carinhosamente. Os dois casaram-se, tiveram dois filhos e vivem até hoje na cidade de Borsa, na Suécia. Suas pinturas hoje em dia são expostas em grandes galerias mundo afora e até um filme está sendo produzido sobre a sua história, que para ele não é grande coisa.

“Eu fiz o que tinha de fazer. Não tinha dinheiro, mas tinha que encontrá-la. Eu estava pedalando por amor. É simples. Ela é uma pessoa especial. Ainda sou apaixonado como era em 1975”, completou o apaixonado Mahanandia. Pradyumna Kumar Mahanandia.