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Criador da Sem Raça Definida, Zé Mário marca território no mundo das bicicletas

Criador da Sem Raça Definida, Zé Mário marca território no mundo das bicicletas

Publicitário paulistano apostou no seu hobbie e ganha cada vez mais espaço no mercado de bicicletas com seus selins e acessórios feitos à mão.

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Empreendedor, fotógrafo, artesão, social media, vendedor, ciclista e gente fina. Este é Zé Mário, responsável pela Sem Raça Definida (SRD). O paulistano largou a vida de publicitário para se dedicar ao que mais gosta: fazer acessórios para bicicletas, principalmente usando o couro como matéria-prima. Seu talento é indiscutível e o valor da sua arte cabe no bolso de quem quer dar um toque a mais na sua magrela, seja por questão de estilo, seja por mais conforto.

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Em bate-papo com o Mobikers, ele contou um pouco sobre como a bicicleta entrou em sua vida e transformou um hobbie em um estilo de vida mais saudável e rentável. Vale a pena conferir o trabalho dele em semracadefinidasaddles.com.br e apoiar brasileiros que metem a mão na massa em prol do ciclismo no país.

Quando você começou a andar de bicicleta?
Quando pequeno, tive uma Caloi Berlineta que meu irmão reformou e me deu. Depois de adulto, quando voltei a pedalar (morava em Guarulhos e tive um gap de uns seis, sete anos sem pedalar), comprei de um amigo uma Caloi 10 daquelas de alumínio. Não é uma bicicleta muito boa, de manutenção fácil, mas na época foi sensacional ter novamente uma bike.

E hoje, qual a bike que você usa no seu dia a dia?
Uso uma bicicleta Touring com quadro e garfo feitos à mão pelo Denis Cardoso, da Cardoso Cycles, e montada por mim. É uma bicicleta incrível, pois anda bem, é confortável e confiável para percorrer longas distâncias.

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Como surgiu a ideia de criar a Sem Raça Definida?
Surgiu quando eu estava reformando uma Caloi 10 antiga, em 2012, e ao ver algumas referências no Pinterest. Vi algumas bicicletas lindas com acabamento em couro bem vintage. Não conhecia muita coisa sobre bicicletas, então quando fui atrás descobri que um selim igual ao que eu vi (Brooks) custava o mesmo preço da bicicleta. Eu não queria pagar isso em um selim, mas queria aquela estética para a minha Caloi 10, então resolvi ir a uma tapeçaria comprar um retalho de couro para tentar fazer algo.

Existe alguma marca gringa que te inspirou?
Existe uma galera na gringa que me inspira. O primeiro que descobri foi o australiano Mick Peel, da Busyman Bicycles. Baseei-me muito nele para começar a criar minhas peças. Com o tempo, pesquisando, descobri outras pessoas em vários lugares do mundo que fazem algo parecido. Tem o americano Carlson Leh, da Leh Seats, a Oficina Del Miglio, da Itália, o Hector Herrera, da Argentina, além de outras marcas mundo afora que não trabalham necessariamente com selins, mas outros acessórios em couro para bikes, como a Walnut Studiolo, dos Estados Unidos.

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E o nome e logo da SRD, qual foi a intenção?
Queria uma marca que fosse marcante e com um toque de humor. Admito que no início não veio nada, mas aí tive um insight. Meus produtos são feitos à mão, logo, por mais que tenham desenhos iguais, jamais serão idênticos, como cachorros vira-latas. Outro ponto é que os vira-latas são das ruas, você os vê em todos os lugares e é uma coisa que eu quero da minha marca: que seja para bikes urbanas, que estejam por aí sendo usados no dia a dia. Já o cachorro fazendo xixi é um ato de marcar território, exatamente a função de um logotipo.

Com o crescimento da marca, teremos novidades em 2016?
Sim, aliás, já tem. O porta-vinhos é um produto novo que acabou saindo do forno no finalzinho de 2015, e espero conseguir de vez disponibilizar a linha vegana feita com algodão cru. Fora esses dois produtos, pequenos acessórios vão aparecer ao longo do ano, mas uma vontade que tenho mesmo é de desenvolver bolsas para bicicletas Randonneur .

Por sinal, por que seu gosto em trabalhar com couro?
Surgiu com a necessidade de fazer aquela primeira peça que comentei. Antes disso, nunca havia tido contato com couro. Eu acho que, na realidade, eu gosto dos ofícios manuais. Couro é a plataforma para as minhas peças, mas a madeira e o aço são outras matérias-primas que gosto muito de trabalhar. Espero ter ainda a oportunidade (e equipamentos) para incluí-las na minha linha.

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Como você vê a evolução do cenário do ciclismo no Brasil?
Pelo que vejo nas feiras que participei, pelo crescimento de grupos e fóruns voltados ao ciclismo e no meu dia a dia, posso dizer que a bicicleta no Brasil está crescendo em alguns aspectos. As bicicletas oferecidas pelo mercado estão cada vez melhores e mais diversificadas; o mercado de peças e bicicletas vintage está muito agitado; inúmeras provas de ciclismo amador estão surgindo; nas grandes cidades, quem está puxando o assunto são as ciclovias. São amadas e odiadas, mas vieram para ficar.

Como morador de São Paulo, acha que a cidade está no caminho certo para o desenvolvimento ciclístico?
Está sim! O debate a respeito das ciclovias, sobre como e onde estão sendo feitas são válidos, mas mesmo assim a malha cicloviária que temos já ajuda muitas pessoas. A mudança não foi feita somente na questão do espaço físico, mas o trânsito em si está prestando mais atenção à bicicleta. Amando ou odiando ela, é claro que ela está em maior evidência.

Você também curte viajar de bike. Qual foi o rolê mais legal que fez?
Putz! Difícil escolher uma viagem só, cada uma teve suas situações. Mas se for para eleger uma, foi muito legal fazer São Paulo – Cunha – Paraty. Trajeto lindo e extremamente bruto de pedalar.

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Fotos: Divulgação / Sem Raça Definida