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Como Amsterdã se tornou a capital mundial do ciclismo

Como Amsterdã se tornou a capital mundial do ciclismo

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Se você já visitou Amsterdã e tentou passar pelo centro de carro, viu que o ciclismo dominou a cidade e que ciclistas surgem de todos os lados, não ligam para as regras de trânsito e reprimem os veículos devido a sua superioridade numérica. Amsterdã é, de fato, uma das poucas cidades do mundo que prioriza os ciclistas.

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A cidade é equipada com uma infraestrutura adequada para o trânsito ciclístico de forma tão segura e confortável que mesmo as crianças e os idosos se locomovem em suas bicicletas sem temer nenhum tipo de acidente grave causado por um veículo.

Amsterdã é tão adaptada ao transporte ciclístico que leva as pessoas que não conhecem sua história a pensar que a cidade sempre foi assim, o que não é verdade. Após a crise econômica gerada pela Segunda Guerra Mundial, os países da Europa conseguiram uma rápida restauração de suas finanças, de modo que a população se viu munida de recursos para comprar um carro com tranquilidade. A ideia de tecnologia, futuro e desenvolvimento constituía boa parte do pensamento ocidental capitalista. Assim, o número de carros em toda a Holanda aumentou drasticamente, enquanto o uso das bicicletas diminuiu, ano após ano.

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A década de 1960 indicou um grande aumento do tráfego de veículos automotores na cidade. O automóvel parecia ser o meio de transporte do futuro. No entanto, a densidade de veículos aumentou o número de acidentes e mortes de crianças no trânsito, chegando a atingir incríveis números de 400 por ano. As tragédias levaram a um forte ativismo contra os carros e a favor das bicicletas.

Vários grupos de ativistas se engajaram ferozmente na causa. O mais famoso deles é o Stop de Kindermoord (Parem o assassinato de crianças). A maioria dos acidentes contabilizados eram fatais, mas havia vários acidentes dos quais não se noticiava, porque não eram fatais, mas as crianças se machucavam. Stop De Kindermoord tinha fundamentos, fatos e todas as razões para ser um movimento de sucesso, e foi. A década de 1970 marcou um grande período de luta pelo incentivo das bicicletas nas ruas e a diminuição dos automóveis, que passaram a ser vistos como elementos de alto risco para os pedestres.

O movimento ganhou muita força, e um hábito brasileiro recém instaurado já tinha espaço em Amsterdã naquela época: fechar as vias movimentadas da cidade – para veículos – em determinado período do dia para as crianças brincarem com segurança.

A conscientização da população deu ao movimento legitimidade para seguir adiante, e várias instituições em prol dos ciclistas foram criadas. Passou a ser a vontade do povo que os acidentes cessassem, que as crianças pudessem brincar nas ruas e que as bicicletas fossem o meio de transporte principal. As autoridades não viram outra forma senão dar aos ciclistas o espaço que seria conquistado de um jeito ou de outro, criando as melhores condições para que o deslocamento diário fosse percorrido sem motores e sobre duas rodas.

Amsterdã é a prova de que partiu da população a iniciativa para que se tornasse a capital mundial do ciclismo. A luta não foi fácil, mas o resultado foi alcançado. Amsterdã é o exemplo de que quando mudamos nossa forma de pensar, as coisas ao nosso redor acompanham esta mudança. A frase pode ter virado clichê, mas não tem problema se o clichê é verdadeiro e útil: quer mudar o mundo? comece por você.

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